domingo, 18 de outubro de 2009

A força do Rádio

Orson Welles, ator e cineasta, leu uma versão adaptada do livro de ficção A Guerra dos Mundos, do escritor inglês Herbert George Wells, na noite de 31 de outubro de 1938. A população que estava acompanhando a transmissão ao vivo, entrou em pânico exigindo forças policiais e exército para conter a situação, pois os ouvintes perderam a abertura que informava ser aquela uma adaptação. O fato é lembrado como uma das coisas mais criativas e apavorantes que o rádio já fez.



Leia, o que aconteceu naquele dia:

Eram nove horas de uma noite que se tornaria inesquecível, seis milhões de norte-americanos acompanhavam pela rádio CBS a adaptação do livro A Guerra dos Mundos, trabalho feito por um rapaz de apenas 23 anos chamado Orson Welles. Inventivo, mesclou literatura e jornalismo, abrindo sua narrativa com o pouso de uma nave extraterrestre numa fazenda perto de Nova Jersey, a 70 km de Nova York.
Assim, os ouvintes foram informados pelo rádio de que marcianos hostis tinham invadido a Terra e estavam matando as pessoas com armas desconhecidas. Os relatos eram bizarros. O repórter estava no local da aterrissagem e transmitia ao vivo, horrorizando o público com a descrição da morte de milhares de pessoas por raios de calor.

A CBS calculou que mais de um milhão de pessoas tomaram a dramatização como fato jornalístico, e cerca de 50% acharam que estavam acompanhando uma reportagem insólita, que dava conta da invasão da Terra por habitantes de Marte. Estava formada a confusão, e através desse fato o rádio provou sua força.

Como um piscar de olhos, Welles ficou famoso. Primeiro, o New York Times, em sua edição de 1º de novembro 1938, estampou a manchete "Ouvintes de rádio em pânico tomam drama de guerra como verdade". Já a edição do Daily News publicou matéria intitulada "Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos".

No resto do mundo não foi diferente. Aquele foi o grande assunto e aumentou o número de pessoas que passaram a acreditar na invasão extraterrestre. Nos dias seguintes, as ponderações já estavam presentes em vários jornais, de que é exemplo a matéria de capa da Gazeta do Povo, jornal de Curitiba, em 2 de novembro de 1938: "A fantástica força impressionista do rádio".



Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br
 
Por Camila Foragi